sexta-feira, 24 de julho de 2015

Salada de Feijão Frade e Abacate


Nada melhor, nestes dias de calor, do que uma salada, seja para que refeição for. Adorei os sabores desta, uma combinação que me parecia improvável; sempre achei o feijão frade muito conservador, pelo menos assim me parecia. Mas não, saiu-se deliciosamente nesta aventura gastronómica colorida!




                   Salada de Feijão Frade e Abacate*

Ingredientes:
250 gr de feijão frade cozido e escorrido
2 dentes de alho esmagado
3 colheres de sopa de sumo de lima
1 colher de sopa de azeite
1 colher de sobremesa de cominhos
1 pitada de flocos de malagueta
1/2 colher de sopa de sal marinho
1 chávena de milho ( de lata)
1 chávena de tomates-cereja
1/4 de chávena de cebola roxa, finamente picada
1/4 de chávena de coentros picados
1 abacate médio

Como fazer: 
Numa saladeira, juntar o alho, o sumo de lima, o azeite, cominhos, malagueta e sal, e mexer bem.
Acrescentar o feijão frade, o milho, o tomate e os coentros; misturar bem, e colocar no frigorífico pelo menos 20 minutos. 
Quando estiver pronto para comer, juntar o abacate delicadamente, e servir de imediato.


* Receita do Ginna's Skinny Taste

segunda-feira, 20 de julho de 2015

A Mãe Sueca

" As mães suecas são descontraídas. Não temos medo do frio, nem da criança se sujar, nem de cair do baloiço. Só se estiver um tempo mesmo, mesmo impossível é que não saímos de casa, estamos habituados a sair a a brincar lá fora com todo o tipo de tempo. Também temos uma relação muito forte com a natureza, não gostamos de estar fechados. As mães portuguesas vestem as crianças de maneira muito arranjadinha ( risos). Nós damos prioridade ao conforto acima de tudo. O que interessa é que a criança consiga brincar e esteja confortável. As mãe suecas dão muita liberdade às crianças, não andam sempre em cima delas. Elas vestem o casaco se quiserem. Respeitamos muito a individualidade delas. Temos uma relação muito de igual para igual, mas isso faz parte da cultura sueca, que sempre foi muito democrática. Temos muita confiança neles, não andamos sempre à espera que façam qualquer coisa de errado, esperamos sempre o melhor. Na Suécia, se alguém der uma palmada a uma criança pode ir preso. Também ralhamos com os nossos filhos, claro, mas não é com a impulsividade do Sul, não o fazemos de maneira agressiva. 
Os pais homens tem uma relação bastante forte com os filhos, porque partilham o tempo de licença de maternidade, que é uma ano e meio ( na pior da hipóteses). São muito desenrascados, fazem tudo o que as mães fazem, e as mães suecas confiam bastante neles."

Mikaela Oven, mãe de 3 filhos, entre 7 e 11 anos in Activa, Maio, 2015

Gosto muito desta forma de ser mãe ( e pai ) sueca. O nosso tempo é incomparavelmente melhor e no entanto os pais portugueses não o aproveitam. Quando os meus filhos eram pequeninos levava-os ao Parque todos os dias, excepto em dias de chuva, mas no Outono e Inverno éramos os únicos que por lá andávamos.
Os pais portugueses não valorizam assim tanto a natureza, o que é um desperdício, porque essa atitude é também ensinar os filhos a preservá-la, e cuidar dela.
Achava eu que as mães espanholas vestem os filhos demasiado bem mas ainda há quem ache o mesmo, das mães portuguesas!
Tratar os filhos de igual para igual? Isso é demagogia, para a grande maioria dos pais portugueses. - Mas afinal quem é que manda?! Agrada-me esse reconhecimento do individuo, mesmo que seja criança. 
Quanto aos pais portugueses, ainda não são maioritariamente "desenrascados" e merecedores de total confiança. Mas cada vez mais se empenham no cuidar, educar e acompanhar os filhos.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

A mãe do Casillas

A mãe do Casillas quer o que todas as mães querem: - o melhor para os filhos. E o melhor para o filho, seria certamente um clube de futebol mais prestigiado do que o FC Porto. Mas isso não aconteceu. No entanto, ao contrário do filho, o orgulho da mãe falou mais alto, e ofendeu os portugueses independentemente de clubes, que se uniram em coro contra as declarações da espanhola.

Todos sabemos que as boas intenções nem sempre nos impedem de errar.
E errar, todos erramos. Reconhecer o erro e pedir perdão é que já não é para todos. Mas a mãe de Casillas fê-lo. Isso tem  mérito. E, ao assumir que errou nas suas declarações facilitará a estadia do filho.
No fim de contas, tudo o que as mães querem é o melhor para os filhos.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Os Desenhos Animados e a Moda


Há quem diga que os desenhos animados actuais não têm qualidade, que são muito violentos, com gráficos feios, e não ensinam nada de bom. Pode até ser que muitas séries se encaixem nessa descrição, porém existem outras que são óptimas. 

Os meus filhos gostam muito da Brandy e o Mr Whiskers, e por vezes apanho alguns episódios, como este. 
Se as crianças concluírem que a Moda é por vezes absurda e inadequada, que segui-la, ou não, é prerrogativa de cada um de nós, já estão a aprender algo que a muitos adultos ignoram ainda. 

Quem disse que os desenhos animados actuais não são pedagógicos?

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Amar não é prémio

Uma coisa que sempre tive muito clara na educação dos meus filhos foi distinguir entre comportamentos e emoções. Quando os repreendia, por algum motivo, enfatizava habitualmente que estava descontente com a acção que tinham praticado, mas que continuava a amá-los. Que o meu amor estava garantido, acima de acontecimentos que me desagradassem.

Não é justo nem correcto fazer entender aos filhos que os amamos apenas quando estamos contentes com eles; quando nos agradam, quando nos obedecem, quando se saem bem.
O amor deve ser isento, eterno e garantido. 

Como resultado desta amálgama entre sentimento e comportamento surge a dúvida do merecimento. Um filho merece sempre amor, aliás há um ditado sueco que exprime muito bem essa ideia: "Ama-me quando eu menos merecer, pois é quando mais preciso". 
O amor é o estofo de que é feito a confiança, e sem ele não há reviravolta, nem caminho ascendente. 

A saída dos resultados dos exames, e das notas de fim de ano lectivo, têm-me feito pensar sobre isto. As expectativas dos pais não correspondem frequentemente à realidade; não significando por isso que sejam expectativas justas. Há diversos motivos que poderão explicar e justificar descidas de notas, então de exames em tão tenras idades mais se poderá compreender ainda.

Por muito que nos orgulhemos dos nossos filhos, eles não são faixas de prémios que levemos ao peito. Não é para isso que eles existem. 

Invertamos agora as coisas e perguntemo-nos quantas vezes falhamos e desmerecemos o amor dos filhos. No entanto, eles amam-nos. Desde muito pequeninos que tanto se zangam como depressa vêm dar um abraço, e fazer as pazes. Isto só deixa de acontecer porque lhes ensinamos, com o nosso exemplo, que não se faz. Que estando zangados não abraçamos, nem beijamos. Que não fazemos as pazes logo a correr; que a zanga precisa de tempo para ser remoída. 
Ensinamos o mal a quem intuitivamente faz o bem.

Amar não deveria ser prémio, deveria antes ser uma constante acima das variáveis da vida. 
  

sexta-feira, 3 de julho de 2015

A Mãe Brasileira

"Penso que o calor melhora as relações humanas. Menos roupa para prender os movimentos, menos medo de se molhar e apanhar resfriado, mais pés descalços, mais cantoria. O calor é colorido e a mãe brasileira tem esse calor.
É claro que uma mãe brasileira carrega hábitos portugueses, mesmo que não perceba. Talvez um dos mais fortes seja a constante reunião familiar na cozinha. Alimentamos as nossas crianças o tempo todo. E se o arroz com feijão é diferente do hábito português, a mania de empurrar comida nos filhos não é. Eu cresci ouvindo "tens fome?" e "já comeste?". Somos mães habituadas a andar descalças dentro e fora de casa, brincamos mais com a água, agachamos no chão, no parque fazemos bolinho de terra. Esse pé no chão, terra e água talvez seja o legado indígena. Além disso, pé no chã faz barulho, batuque na palma da mão também faz. A mãe brasileira é barulhenta. Pudera, somos também misturados por diversas africanidades. A música é um refúgio de comunicação para a mãe brasileira dizer a vida aos seus filhos; a gente canta para dar comida, canta para brincar, canta para contar história, e na hora de dormir a gente canta.
Por um lado, não criar silêncios profundos pode ser a nossa maior dificuldade. O silêncio é preciso, e faz falta. Por outro lado, a musicalidade é desenvolvida desde sempre. Criei meus miúdos com sons que povoavam os dois lados do Atlântico. E sim, sempre brincando com água. E terra. E vestindo uma mistura de cores."

Penélope Martins, mãe de 2 filhos, 9 e 13 anos, in Activa, Maio, 2015

Eu penso que "esse calor" que a Penélope refere falta às mães portuguesas, porém no restante muitas mães se reconhecerão, grosso modo, neste retrato.
Eu, em particular, adoro caminhar descalça no Verão e os meus filhos sempre foram incentivados a fazê-lo. Fazer bolinhos com terra e areia, água e folhas também foi consentido e muito praticado. Cantorias? Acho que temos uma dose boa. Talvez tenha herdado da minha avó paterna alguma forma de ser brasileira, que se reflecte assim. Mas os silêncios... são-me realmente indispensáveis enquanto pessoa, senão mesmo estruturais.