quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Escrever Para Quê Se Temos os Emojicons?

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Ando eu preocupada com a insanidade deste A.O. e com a geração actual, dele vítima, quando esta mesma geração se prepara para comunicar, sem sequer precisar de saber escrever.

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Não faltará muito e os marginais somos nós.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Educar com Respeito

Não me parece realmente que os pais necessitem de um curso para educar os filhos. Caso contrário, educadoras de infância e professores seriam melhores do que a maioria dos pais, a educar crianças. E por regra, não são, confluindo uns e outros para os mesmos resultados. 

Por aquilo que eu tenho observado a chave da educação está no respeito. Compreender que não somos donos dos nossos filhos, nem os ver como uma extensão de nós mesmos, mas aceitá-los, como seres independentes, é o primeiro passo. 
Aceitar que os filhos podem pensar e sentir diferente de nós, o que não é fácil, mas necessário, uma vez que é a realidade, e lutar contra ela só vai criar atritos. 

Recentemente, ao conversar com uma mãe, a propósito de algumas alterações na vida escolar da filha, perguntei-lhe qual era a opinião desta; resposta imediata: - Ela não tem opinião. Ela só tem 16 anos, nós, os pais, é que decidimos por ela. 

A maioria dos pais age desta forma constantemente. Defendem-se com a tese do "querer o bem dos filhos", para legitimarem escolhas e imposições, atropelando frequentemente sentimentos e vontades. Obviamente, não defendo que os filhos decidam sobre as suas vidas em todas as circunstâncias; há ocasiões em que isso não se coloca sequer. Poderá haver, contudo, uma plataforma comum de entendimento, onde uns e outros se encontrem para dialogar e alcançar uma conclusão, que não seja uma imposição, mas resultado do compreensível, e do necessário.
Significando isto que existe respeito pela opinião dos filhos; que os pais estão dispostos a ouvi-los, e a entendê-los. 
Estão os pais a atestar o reconhecimento dos filhos, como seres com direito a opinião própria, e direito de a manifestarem. Sendo assim, também, uma forma de criarem filhos com espírito crítico.

Educamos com respeito, para termos filhos respeitosos. Se queremos que o Mundo mude, temos que mudar a forma de educar as crianças. Creio que esta é também a chave para uma mudança mais abrangente e significativa.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Porque Devemos boicotar "As 50 Sombras de Grey"

A primeira vez que folhei algumas páginas do livro "As 50 sombras de Grey", soube instintivamente que o livro não prestava. Espantou-me, no entanto, que daí a algumas semanas todos falassem no livro, pessoas e Média, e que os recordes de vendas em todo o Mundo se transformassem em notícia nacional.

Gostos e modas, talvez até mais modas do que gostos. Depois dos bruxedos do Harry Potter, e das mordidas dos vampiros, o sexo, num formato atrevido mas não-pornográfico, vinha mesmo a calhar. 

Que o livro fosse transformado em filme não me surpreendeu, mas que os bilhetes no cinema estivessem a ser reservados antes mesmo da estreia, deixou-me atônita. 

Fosse apenas sexo, mas não é. A partir daqui vou apoiar-me na interpretação de quem leu o livro, sabe como funciona o sadomasoquismo, e passar-lhe a palavra.

" Sadomasoquismo é uma comunidade que acredita em segurança & conforto. O consentimento é sempre necessário e os parceiros cuidam uns dos outros. Depois das acções e jogos, os parceiros confortam-se mutuamente para ajudar a transição fora dessa zona. O "50 sombras de Grey" não contempla nada disto. ...Há alturas em que Christian fica zangado com Anastásia, por ela estar perturbada. Por vezes, ele usa o alcool para manipular o consentimento dela, sendo isto violação, por Lei. Acontece também de ela usar a palavra de segurança, e não obstante ele continua. Isto é o consentimento a ser retractado e Christian ignora-o. Isto é assédio sexual. 
... Anastásia começa a esconder coisas de Christian por medo da reacção dele. Ele torna-se ciumento e facilmente se zanga. Anastásia teme pela sua segurança. Especialistas encontraram  correspondência entre o comportamento de Anastásia e o das vitimas de abuso, de acordo com a descrição do Centers for Disease Control and Prevention....
Este livro romantiza e torna o abuso um fétiche, pintando o abuso com uma luz "sexy" e "divertida", o que é realmente perigoso para as mulheres. Uma em cada cinco mulheres experienciará violência doméstica nas suas vidas, e é por isso que este livro não deveria ser defendido. Fazer parecer este comportamento de um homem como certo e aceitá-lo, é perigoso. As pessoas influenciadas pelo SM não têm realmente ideia do que isto é, e podem magoar-se. " Via Pinterest

A questão não é a leitura, vivemos num país livre e cada um tem a liberdade de ler o que quer. O problema é vivermos num país aonde a violência doméstica é notícia diária dos jornais e telejornais, aumentando o número de vítimas de ano para ano.

As mesmas mulheres que se indignam com essas notícias estão a comprar o livro; foram as mulheres que o tornaram um best-seller, e são elas que vão ao cinema, possivelmente acompanhadas dos companheiros, à procura de alguma "pimenta" para a relação. 

Promover o abuso como liberdade sexual é a maior das mentiras. Julgam as mulheres que são modernas, descomplexadas e receptivas quando na realidade estão a entrar no perigoso jogo da manipulação masculina. Isto não é moderno, é tão retrógrado que até dói. 

( Recomendo a leitura deste artigo no Pervocracy.
E deste no Mulheres & Deusas )

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

O Revivalismo está na moda!

 
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Tudo tem um lado bom. Tudo. Mesmo que por vezes não seja evidente, ou imediatamente identificado. Esta crise trouxe também algumas coisas boas, práticas que tinham caído no esquecimento e foram recuperadas, por exemplo. E ainda que inicialmente o impulsionador fosse económico, o ambiente também beneficia. E como nós precisamos de mudar a nossa forma de estar aqui na Terra, adoptar algumas práticas do tempo das nossas mães e avós, pode ser uma opção muito compensadora.

Algumas propostas:

Cozinhar em casa - Cozinhar está na moda, é ver só a quantidade de programas desta temática e livros dos mais variados autores, que têm sido publicados. A diversidade permite-nos escolher melhor, conhecer receitas práticas e rápidas, para quem não quer, ou não pode, despender muito tempo na cozinha. Cozinhar as nossas refeições permite-nos ter uma alimentação mais sã, utilizar ingredientes mais frescos, e conhecer a origem dos mesmos.

Reparar - Ainda que muitos electrodomésticos sejam, lamentavelmente, produzidos de forma a não poderem ser reparados, a possibilidade existe, até que algum técnico nos diga o contrário. Sendo sempre mais económico, e melhor para o ambiente. Calçado e roupa também merecem tratamento de manutenção e recuperação, existindo costureiras e sapateiros que o façam muito bem.

Jardinar - Ter um pequeno terreno, aonde se possa cultivar uma horta ou fazer é um jardim não tem preço. Cultivar os nossos legumes, ou flores, para alegrar a casa, implica exercício físico, e arejamento mental. As propostas para o jardinagem vertical vão crescendo, possibilitando que a quem falta terreno, possa cultivar uma mini horta, na varanda, por exemplo.

Mezinhas - Nesta época, os meus filhos adoram xarope de cenoura, para a tosse. Mas também canela com mel, que comem às colheradas. E chás. Particularmente, gosto de beber sumo de limão com água morna, de manhã.  A natureza é a nossa primeira farmácia, sendo que frequentemente temos todos os ingredientes em casa, para aliviar dores de garganta, constipações e gripes. Sem contra-indicações.

Caminhar - Há percursos que podemos muito bem fazer a pé, ou de bicicleta. É mais económico, não-poluidor e mais saudável para nós, já que estamos a fazer exercício e apanhar sol; necessitamos diariamente de sol, que nos proporciona vitamina D e previne a Depressão.

Faça-você-mesmo - Há uma série de coisas que podemos ser nós a fazer; costurar uma peça de roupa, tricotar uma gola super moderna, fazer um bolo mais elaborado, até pintar as paredes de casa, ou restaurar um móvel. Não sabe?  Eu também não, porém tricotei um gorro recentemente, tal qual a minha filha queria e não encontrávamos nas lojas. O YouTube está repleto de lições e mestres.

Suponho que seja por estas e outras que por vezes me sinto, como diz o meu filho, antiga. Muito antiga. 


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

A Pedagogia da Gratidão

Queixava-se a mãe dos súbitos caprichos da filha. Que a nova escola, com outra classe de alunos mais endinheirados, a levava na onda das marcas, dos carros topo de gama, dos Hiphones, e outras modernices apelativas. Que já não se contenta com o que tem, que até há pouco a satisfazia perfeitamente. Tudo o que lhe pertencia perdera valor, e um só gadget caro na mão de outro lhe parecia o único passaporte para a felicidade.
De nada importam as dificuldades da família, sobretudo no caso de um dos progenitores se encontrar desempregado.

Tudo no seu mundo adquire contornos hiperbólicos, a serem levados muito a sério, como se de uma catástrofe eminente se tratasse. Enquanto o resto do mundo se debate com problemas comezinhos; pagar as contas, encontrar trabalho, e controlar rigorosamente o extracto bancário, num número de equilibrismo de tirar o folego.

É verdade, o egoísmo é próprio da idade, e a influência dos amigos parece ser agora a única. É uma fase, já todos  sabemos. Pergunto-me porém, se no meio da luta diária, encontram os pais motivos para serem gratos e expressarem essa gratidão. Nunca houve o hábito, mesmo na época das vacas gordas; a riqueza da vida fluía como um direito inalienável, não merecendo um simples obrigada. Agora, com certeza, menos ainda.

Ao número de filhos ingratos suspeito que anteceda outro igual de pais, padecendo do mesmo mal. Enquanto não fizermos da gratidão, pelas coisas boas que temos na vida, hábito regular e lhe dermos voz, continuaremos a criar filhos ingratos.

Voltamos sempre àquela velha história do exemplo.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Cinema fora de série

Quase a propósito dos Óscares, só que não.

Muito melhor do que ter acesso aos filmes que passaram nos Cinemas, o TVCine dá-me acesso a filmes que normalmente estão fora do circuito comercial. E que eu nunca veria. Filmes que divulgam culturas, que fazem pensar, que nos tocam e maravilham. Sem nos pretenderem convencer de nada, sem apologias a bandeiras e outros ideais.
Estas são as minhas últimas escolhas:

A lancheira é uma produção indiana.  Uma mulher envia o almoço para o marido, través do serviço de entregas de lancheiras, mas desta vez chega à pessoa errada. Começa então uma troca de bilhetes entre eles, originando mudanças num e noutro, e levando a um desfecho inesperado.
Porque este fantástico serviço de entregas de lancheiras me fascina. Porque a cultura indiana também.

A Lua de Cinderela é uma produção chinesa. Longe de ser uma imitação da Cinderela Ocidental, esta lenda data do ano 700, e vai bem mais longe na sua moralidade, valorizando o nascimento de meninas, e ensinando que o nascimento de qualquer criança é uma dádiva. A paisagem é extraordinária, o figurino lindíssimo, os cenários maravilhosos, e a música fora de série.
Porque, como disse, valoriza o nascimento de meninas, afirmando claramente que são necessárias e fundamentais para o equilíbrio no Mundo.

Que Mal Fiz eu a Deus? é uma produção francesa. Um casal burguês conservador, com 4 filhas; três delas casam com um muçulmano, um chinês e um judeu, respectivamente, enquanto a quarta filha se torna a derradeira esperança, e se case com um francês católico. Mas não poderia ser assim tão fácil!
Porque aborda um tema muito pertinente numa França inegavelmente crispada. 

Duas Semanas, é uma produção americana. Quatro filhos regressam a casa, para visitar a mãe doente terminal, acabando por ficar duas semanas. Porque é um filme brutalmente realista.

Outro aspecto positivo do TVCine é repetir a exibição dos filmes, periodicamente. Portanto, estes filmes serão exibidos brevemente, acaso seja do seu interesse.