sexta-feira, 24 de abril de 2015

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Orientar as Amizades dos Filhos


Segundo o Dr Mário Cordeiro* os pais não devem escolher os amigos dos filhos, estes não devem ser amigos de todos, nem devem convidar toda a turma para a festa de aniversário. Os amigos imaginários são bons, e os outros não desviam os nossos filhos a não ser que estes queiram. Simples assim. E eu poderia assinar perfeitamente por esta cartilha; aprendi na prática, por vezes errando, tudo aquilo que o pediatra defende, porém tenho algo mais a acrescentar.


Podemos e creio bem, devemos, orientar as amizades dos nossos filhos. Já sabemos que o grupo os influencia, para o bem e para o mal; que fazendo amizade com crianças mal comportadas, o afecto que lhes dedicam os faz ver o mau comportamento com uma certa benevolência, que poderá facilmente descambar para a admiração. Desse estado para a imitação é um passo. 


Então, conversar com os filhos acerca do comportamento correcto na sala de aulas, comentando o que determinado menino fez ou disse, demonstrando o que está certo ou errado, faz parte da educação.  
Admito que pode não ser politicamente correcto mas convenhamos... o contrário será hipocrisia. Ensinei sempre os meus filhos a cumprimentar e tratar todos os colegas com educação e cordialidade, contudo a fazer distinção entre colegas e amigos, sendo que neste último grupo há lugar apenas para crianças com comportamentos e valores idênticos.
Em primeiro lugar vêm os nossos filhos, ou não? Tão importante como os ensinar a agir e comportarem-se correctamente, é ensiná-los a fazer a distinção das companhias que escolhem. Aliás, fazemos isso toda a vida.

*in Maxima nr 313

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Quem Monologa

Há pessoas que não estão minimamente interessadas em dialogar, apesar de manterem conversas. Tudo o que dizem finaliza com ponto final e parágrafo. 
Não estão interessadas no que o outro pensa, sabe ou diz. Tudo isso é acessório ao conhecimento absoluto que julgam possuir.

A farsa do diálogo é apenas necessária pelos ouvidos emprestados que lhes dá pretexto para se ouvirem.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Pataniscas de Bróculos e Queijo



Vou inaugurar um novo marcador de comida vegetariana, com esta receita. Uma refeição super fácil e deliciosa. A massa das pataniscas pode guardar-se no frigorífico para fazer noutro dia, o que é muito prático.
Acompanhei com arroz de jasmim, que também é do mais fácil que há, e adoro, uma salada de alface e rabanetes, e uma colher de molho de alho. 

Os meus filhos estão a adquirir o hábito de experimentar todas as minhas refeições, e gostaram muito desta. Passo a passo vamos no caminho certo!

Pataniscas de Brócolos e Queijo


Ingredientes:
2 Chávenas de brócolos cozidos ( fiz ao vapor )
2 ovos grandes
1/2 colher de chá - Sal
1/2 chávena de Croutons
1/2 Chávena de Parmesão, fresco
2 colheres de sopa de azeite

Como fazer:
Cozer os brócolos (cozi a vapor).
Colocar os brócolos, os ovos, sal, croutons, azeite e queijo parmesão no processador de alimentos.
Misture até ficar bem picado. Usando uma colher de sopa, formar bolas.
Aqueça a frigideira com um pouco de óleo. Coloque as bolas da mistura na sertã, e alise com uma espátula. Deixe cozinhar até que ambos os lados ficam crocantes.  


Sem dúvida, uma forma de fazer as crianças comerem brócolos alegremente. Chamem-lhes hambúrguers para a alegria ser ainda maior! 


Receita do Super Healthy Kids

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Amar Acima de Tudo



Não me parece que exista à face da Terra experiência mais reveladora, acerca de nós mesmos, do que aquela de ser mãe e pai. Desafio mais radical, lição mais proveitosa ou prova de maior responsabilidade. 

O que aprendemos com a maternidade/paternidade modifica-nos, e frequentemente, vira-nos do avesso. Revela-nos coisas que nós mesmo ignorávamos, e mostra aos outros uma faceta de nós que eles desconheciam. E nem sempre são coisas boas.
Na realidade, e frequentemente, são coisas das quais não nos orgulhamos. Ninguém está acima do erro. Umas vezes são pequeninos detalhes, outras vezes são coisas maiores, terríveis. 
Quando os filhos não se encaixam na imagem que construímos para eles, e destoam da fotografia familiar que pretendemos mostrar, espoleta aquele botão, no mecanismo interior do progenitor, que exige uma acção. O amor congela.

De todos os casos, o que mais me choca é a rejeição da homossexualidade dos filhos. Ainda no séc.XXI se expulsam filhos de casa, devido à sua orientação sexual. Ainda se finge não saber da vida sexual dos filhos. Ainda se ignoram os seus companheiros.

Não consigo entender porque razão, os pais, que deveriam ser os primeiros a aceitar, se tornam os primeiros a apontar e a rejeitar. O resto do Mundo se encarregará disso. Os nosso filhos necessitam encontrar na família o porto seguro, o ombro, o abraço, a compreensão. 
O que muda, afinal? Continuam a ser os nossos filhos. O amor não deveria estar dependente de nada, muito menos submisso ao orgulho, ou aos outros.
Amar verdadeiramente é um acto incondicional, e acredito que essa é a maior lição que os filhos nos proporcionam. 

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Por Vezes a Vida é Poesia

Como qualquer pessoa que gosta de escrever, e não passa sem escrever, houve uma época em que também eu ensaiei algumas linhas na poesia; era adolescente, e rapidamente compreendi que aquilo não era para mim. Um outro patamar, mais selecto, mais secreto, onde apenas um punhado de escolhidos poderia entrar.
Durante muito tempo fiquei até com uma certa raiva da poesia, por não conseguir escrevê-la, recusava ler fosse o que fosse, e de quem fosse. Mas o mundo gira. Fui lendo alguns poemas, e apreciando um ou outro. Fui lendo mais, e apreciando mais. E continuava no meu canto: já me bastava ler, escrever não era para mim.

No Verão passado, a sombra de um desgosto começou a pairar na minha vida, e como acontece frequentemente em momentos de crise, fiquei mais reflexiva, introspectiva; querendo o de todos, desvendar os segredos dos deuses e dos homens, na tentativa de encontrar respostas que me apaziguassem. E espontaneamente, os meus pensamentos foram ganhando a forma de textos, alguns, na forma poética. Palavras geradas por pensamentos voluntariosos e sofridos.

Francamente, não gostei do processo daquela escrita; descobri que a poesia se tornava obsessão, e me fazia prisioneira da palavra. No entanto, depois que ganhava forma o alívio sentido era pacificador.
Por coincidência nessa ocasião, recebi a proposta para participar  de uma colectânea de poesia lusófona, em edição de autor. Parece-me pretensioso, e até contraditório, chamar antologia a uma edição de autores, no entanto foi assim designada. Enfim, há poemas para todos os gostos. Os meus ficaram aí registados para não caírem no esquecimento.

Este foi um dos poemas que publiquei :


Folha que cai

   Há, na folha que cai, a pacífica nostalgia do tempo que acaba.
   Aceitação do inevitável, sem lamento e incompreensão
   Ao nosso olhar interrogativo.
   Soberana conhecedora dos segredos do tempo
   Sabe que nasce, que vive, que morre.
   E que tudo se repete infindavelmente. 


in Enigmas
Antologia de Poesia e Texto Poético da Lusofonia
Sinapis Editores
À venda na livraria Elêtheia, Rua de O Século, nr 13, Lisboa