segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Os lideres inférteis da Europa

Recentemente, ouvi um homem  na casa dos 30 a afirmar em modo interrogativo, como poderia ter filhos, trabalhando com os horários que tem e ganhando o ordenado que ganha. Apesar de licenciado e culto, está empregado numa cadeia de restauração, pouco reconhecida pelos direitos laborais. As perspectivas de progressão são baixas, portanto. Eu poderia dizer-lhe que as razões para ter filhos são várias, mas nenhuma racional, como as que ele apresenta. Porém, as dele parecem-me conscientes o suficiente para serem escutadas sem refutação. 
A verdade é que vivemos num Continente onde a baixa natalidade é real e preocupante. Os alertas surgem de longe a longe, e alguns países combatem essa tendência, sempre em queda, com medidas incentivadoras, que aparentemente não surtem grande efeito. São pessoas que vivem já muito bem, porquanto medidas económicas não terão peso determinante. As pessoas querem tranquilidade, tempo sobretudo para elas, para fazerem as suas coisas. Querem liberdade. E os filhos constrangem esses planos a solo, ou em casal, já se sabe.

Que a Europa esteja em declínio populacional não é facto que comova ou questione a maioria dos europeus. Aliás, grande parte dos actuais líderes da Europa não têm filhos: Angela Merkel na Alemanha, Emmanuel Macron na França,  Leo Varadkar na Irlanda, Paolo Gentiloni na Itália, Mark Rutte na Holanda,  Xavier Bettel no Luxemburgo, Theresa May em Inglaterra*. Serão estes políticos reflexo da presente sociedade ou serão eles os timoneiros lançadores de tendência? Deveriam ser antes exemplo. 
A mim, preocupa-me sobretudo que a Europa esteja a ser governada por gente que não possui descendência. A maternidade/ paternidade dá-nos uma motivação extra para trabalharmos para um melhor futuro. O interesse sobre a qualidade de vida, em todos os níveis, passa a ter impacto directo sobre a nossa progenitura. Já não nos é indiferente que após a nossa passagem, o Mundo fique como calhar. Deixamos cá quem mais amamos e por isso passamos a amar mais esta casa colectiva.  
Gerir um pais, um Continente, o Mundo, sabendo que nele temos filhos dá-nos sem dúvida outra perspectiva. Impulsiona-nos a ser uma versão superior de nós próprios, a fazer o melhor no presente por saber que terá impacto no futuro. Quem acreditar que os lideres políticos não necessitam deste tipo de incentivo, e que farão o seu melhor apenas pelo sentido de missão, de servir o cidadão, que fique tranquilo. Não é o meu caso; receio que a infecundidade dos nossos políticos reflicta também uma esterilidade social, ambiental, económica, em suma, uma prática política de terra queimada. Visse eu uma cidadania consciente como costume habitual na nossa sociedade, poderia acreditar na existência de um contra-poder, contudo nada disso vejo. Apenas indiferença pelas coisas maiores e embevecimento pelas ninharias fúteis e passageiras. 
Haverá despertador capaz de acordar as pessoas deste transe profundo? Eu penso, sinceramente, que são os nossos filhos este alarme.  

* Vide O Globo
   

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Bolo de Maçã Francês


No Inverno o bolo de maçã é um dos mais populares cá em casa, e como existem tantas receitas diferentes, vou testando umas e outras, descobrindo assim, de vez em quando, uma receita que nos conquista acima das anteriores. Foi o caso desta. É um bolo simplesmente delicioso!


Bolo de Maçã Francês*

Ingredientes: 
110 gr. de farinha
3/4 colher de chá de fermento químico (fermento em pó)
Uma pitada de sal
4 maçãs grandes, se possível de diferentes variedades ( usei Reineta, de que gosto particularmente, Golden e Esmolfe)
115 gr. de manteiga, derretida e arrefecida à temperatura ambiente
3 ovos M, à temperatura ambiente
150 gr. de açúcar
3 colheres de sopa de rum envelhecido
1/2 colher de chá de extracto de baunilha
Açúcar de confeiteiro

Como fazer:

Ligar o forno a 180ºC.

Numa tigela misture a farinha, o fermento e o sal.
Descasque as maçãs e divida-as em fatias e quadrados finos.
Noutra tigela bata os ovos até espumar, adicione o açúcar sob a forma de chuva e misture.
Adicione o rum, misture um pouco e depois o extracto de baunilha. Adicione metade da farinha e misture. Adicione metade da manteiga e misture novamente.
Adicione o resto da farinha e misture, adicione a manteiga restante e misture. Acrescente as maçãs e misture com uma espátula até que todos os bocados estejam bem envolvidos com a massa.
Coloque numa forma removível com a parte inferior forrada a papel manteiga e os lados bem untados. Com uma espátula alise a superfície. 
Cozer cerca de 50-60 minutos ou até o palito sair limpo.
Deixe arrefecer cerca de 5 minutos no molde e desenforme. Polvilhe com açúcar confeiteiro.


Na receita original, do Patty's Cake*, sugere acompanhar com uma bola de gelado de baunilha, ou yogurte grego; para nós vai mesmo assim e ainda morno, ou mesmo a sair do forno! O aroma é irresistível. 

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Programa de entretenimento ou pedagógico?




A polémica do programa Super Nanny da SIC terminou com a suspensão da transmissão do terceiro episódio. Vi o primeiro, levada pela curiosidade que este burburinho causou, e apesar do que já tinha lido sobre o mesmo, sempre numa linha de crítica sem atenuantes, confesso que não me pareceu excessivo. Há de facto a exposição da criança, e à partida sou contra, mas esta exposição dos filhos não é já feita actualmente nas redes sociais? Aonde os pais partilham fotos, por vezes tão íntimas como os filhos no banho, ou na praia, sem outra motivação que não a vaidade? E portanto essas situações nunca deram azo a intervenções de associações, tribunais ou o que quer que fosse.
Parece-me que há uma maior exposição da família, que se declara publicamente incapaz de educar os filhos eficientemente. E isso a mim causa-me grande espanto. Talvez este risco seja cruzado em desespero de causa; são pais que precisam efectivamente de ajuda. 

Não penso apenas nos pais que dão a cara no ecrã, penso nos outros que vêm o programa, que vivem situações idênticas ou mesmo iguais, e que frustrados não sabem como corrigir os problemas. O programa aponta falhas e apresenta soluções, divulga estratégias que podem ser aplicadas por outros educadores, muitos dos quais, talvez a maioria, não terão acesso a técnicos que os ajudem nesse sentido. É por isso um programa de fundo pedagógico, e esse valor deve ser-lhe reconhecido.

Por conseguinte, sinto-me bastante dividida nesta questão; por um lado penso que as crianças devem ser preservadas sim, e por outro acredito que crianças mal educadas, serão crianças infelizes. São famílias que não conseguem educar bem a progenitura, porém estão conscientes dessa falha e querem corrigi-la. O que está certo então, o supremo direito da criança à privacidade, ou o direito a uma educação equilibrada, que fará dela uma criança feliz, num ambiente familiar igualmente equilibrado e feliz?
Estamos numa zona cinzenta, e não me parece mesmo que este programa seja tão facilmente condenável.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Comida saudável, segundo o meu filho

Eu a tirar o vapor da panela de pressão.
- Ui que cheiro! Que nojento. Diz o Duarte a passar.
- A que te cheira? Pergunto curiosa, afinal eram apenas legumes cozidos.
- A coisas saudáveis. E é nojento!

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Ballet - Para miúdos e graúdos



No principio do ano fui com a minha filha ver o Bailado da Bela Adormecida, do Russian Classical Ballet. Estava nos nossos planos desde o ano passado, porém na altura já não conseguimos bilhetes. Portanto, desta vez não poderíamos perder a oportunidade, avisou-me a Letícia, com os olhos arregalados. 
Nem eu nem ela gostamos propriamente de Ballet, mas tínhamos curiosidade em ver um espectáculo destes ao vivo, e para mais, com uma companhia russa, o que nos pareceu extremamente promissor.

Por ser um espectáculo nocturno (começou às 21:40), estranhamos a quantidade de crianças pequenas ( desde os 2 anos, mas havia sobretudo entre os 6 e 9), de forma que já me parecia uma matinée de cinema ao domingo, de antigamente, o que augurou um certo burburinho, com falatório e birras de sono; porém, nada disso aconteceu. Muito pelo contrário, as crianças assistiram ao espectáculo bem comportadas, e não vi nenhuma adormecida. Inclusivamente, uma pequenita por detrás de nós, falou o tempo todo com a mãe, no tom baixo dela, mas sempre a propósito da história, muito interessada em compreender tudo o que se passava.

A plateia era constituída maioritariamente por mulheres, muitas com filhas.  Suponho que os pais levam os filhos ao futebol, dividindo-se assim os interesses. O que é uma pena, pois este tipo de espectáculo eleva o ser humano, expande horizontes, dando a conhecer a música, a dança e a história. É também uma forma de educar para as grandes Artes. Concedo, que devia ter efectivamente outro horário, este espectáculo de tarde proporcionar-se-ia muito mais para as crianças. 
 
Uma historinha conhecida por todos, a música de Tchaikovsky, cenários maravilhosos, um figurino exuberante, sempre com alguma referência à cultura russa, ao que o Russian Classical Ballet dá vida, é um espectáculo que aconselho vivamente. Não é propriamente barato, contudo, como presente de Natal por exemplo, é perfeitamente possível. Suprime-se uma embalagem debaixo do pinheiro, trocando-a por um bilhete. E tenho quase a certeza que se tornará um presente memorável para qualquer criança.
No próximo ano há mais!

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Empadão de cogumelos #vegetariana


Este empadão ficou delicioso, embora não seja uma afirmação unânime, pois a Letícia não confirma propriamente, mas creio que apenas por não apreciar o puré em forma alguma. Portanto, eu gostei muito. 

Empadão de cogumelos 
Ingredientes:
3 batatas
leite vegetal q.b.
azeite a gosto
12 cogumelos Paris
cebola
alho
sal, pimenta e cúrcuma
molho de soja

Como fazer:
Cozer as batatas descascadas e partidas ao meio, com um pouco de sal. Fatiar os cogumelos e salteá-los em azeite, alho, pimenta, por  de 5 minutos, juntar o molho de soja a gosto e mexer.
Amassar as batatas, juntar o azeite, e leite vegetal, e envolver. Colocar num pirex uma camada de puré, de seguida os cogumelos salteados, e cobrir com outra metade de puré. Bater numa chávena um terço de água com uma colher de chá de cúrcuma, e pincelar a parte de cima do empadão. Vai ao forno a gratinar.