segunda-feira, 5 de março de 2007

No lugar do Outro


Há dias, passava no corredor e ouvi a Letícia a dizer uma lenga-lenga provocatória:
-O Tomás é pequenino, o Tomás é pequenino….
O primo fez há pouco 3 anos mas compreendeu a ofensa e ia respondendo:
-Não! Não!
Então o Duarte aproximou-se da Letícia e com muita calma, colocou-lhe um braço no ombro e disse:
-Letícia, tu gostarias que alguém te dissesse: a Letícia é pequenina, a Letícia é pequenina?
Ela respondeu que não. Ele continuou:
-Então também não deves dizer isso ao Tomás, está bem?
A Letícia abanou a cabeça em sinal de concordância.
Eu afastei-me silenciosamente; assisti a toda a cena, fora do quarto, eles nem se aperceberam que eu estivera ali. A educação que damos aos nossos filhos está a dar frutos. “Não fazer aos outros aquilo que não gostaríamos que nos fizessem a nós” é uma frase muito repetida cá em casa. Ela contém a tolerância e o respeito para com o outro. Não é necessário ter estudos,nem conhecimentos filosóficos, nem tão pouco conhecimentos religiosos, nem ser muito inteligente, nem nascer num berço de ouro, nem possuir qualquer outro requisito para se colocar no lugar do outro. Eu creio que, bastava tomar esta máxima como prática corrente, no dia a dia para, ter uma vida correcta e honesta e fazer a vida dos que nos rodeiam muito mais fácil, o que em última instância facilitaria a nossa.